Veículo de comunicação de Nova Esperança-PR tem como intuito trazer conteúdo de qualidade para a cidade e região, segundo o sócio-proprietário.
Autora: Leonilda Cardoso*
Edição: Prof. Larissa Bezerra
A comunicação nasceu junto com a humanidade, mas a forma como ela se realiza vem se inovando desde então. O que a na antiguidade se entendia como comunicação – baseada em conversas interpessoais e histórias transmitidas de geração em geração por meio da fala, desenhos e textos – transformou-se e aprimorou-se de forma surpreendente, alcançando o cinema, o rádio, o jornal impresso e a televisão. No século XXI com o advento da Revolução Digital, esses meios tradicionais passaram a dividir espaço com as mídias digitais, um fenômeno denominado “convergência midiática”.
Segundo Henry Jenkins, um pesquisador norte-americano muito influente nos estudos sobre os meios de comunicação, a convergência é uma palavra que consegue definir transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais.
Para compreendermos na prática como ocorreu essa mudança no meio jornalístico nos últimos anos, conversamos com o teólogo e historiador Alex Fernandes França, cidadão novaesperancense, um amante da comunicação que ainda muito jovem teve o início da sua carreira na comunicação numa rádio AM. Hoje, como socio-proprietário do Jornal Noroeste de Nova Esperança-PR, ele fala sobre as mudanças que acompanhou no jornalismo e nos meios de comunicação, desde a fundação do jornal, em 1995, quando percebeu juntamente com seu sócio, o jornalista Oswaldo Vidual Filho, a necessidade que havia de um veículo de comunicação impresso, não apenas para comunidade local, mas, também, para toda a região.

Como nasceu o Jornal Noroeste?
A minha história profissional nasceu na comunicação, na extinta Rádio Sociedade em Nova Esperança, que era uma emissora AM. Na sequência fui para a Rádio Globo FM, que pertencia ao mesmo grupo detentor de algumas emissoras de rádio na época. Cinco anos mais tarde, eu e meu sócio, o jornalista Oswaldo Vidual Filho, decidimos seguir na comunicação, mas saindo do rádio para o jornal impresso. Era uma novidade para nossa cidade, e o intuito era trazer informação do cotidiano da comunidade. No início, o formato era tabloide, em preto e branco, com edição mensal. Com o tempo tornou-se quinzenal, passou a ser colorido e veio a se tornar stander (formato maior das folhas). Depois passou a ser semanal e hoje temos edições duas vezes por semana.
No período inicial do jornal como eram feitas as apurações para as notícias? Quais eram as dificuldades se comparado à atualidade?
A primeira dificuldade era o fato de não existirem câmeras digitais. As fotos registradas de um evento, por exemplo, levavam de quatro a cinco dias para ficarem prontas. O custo financeiro para produção também era uma dificuldade. O acesso à informação era algo mais demorado e a apuração total da notícia deveria ser muito bem feita. Até mesmo porque, na realidade do jornal impresso, se acontecesse de publicarmos algo errado, essa notícia ficaria ali para sempre, sendo possível apenas na próxima edição publicar uma errata sobre a edição anterior. Fato que hoje no formato digital, na própria interface do jornal ou no site, nós podemos retificar, adicionando um esclarecimento sobre o entendimento equivocado no momento da apuração.
Graças a toda essa mudança ocorrida com advento da tecnologia, existe um dinamismo no acesso às informações. Estamos hoje em contato com as assessorias de imprensa de vários órgãos, como a Polícia Federal, Receita Federal e Samu. Produzimos conteúdo não apenas do município, mas da região. Aconteceu uma união, como se fôssemos interligados com as outras cidades, no universo da comunicação. Ela flui quase em tempo real. Não importa se estou aqui ou em um grande centro, tenho acesso do mesmo modo.
Na era da convergência midiática o jornal impresso será extinto, se tornará artigo de luxo ou vai permanecer?
Quando surgiu a televisão, as pessoas falavam que o rádio ia acabar. Assim que surgiu a internet, falava-se que o jornal impresso não sobreviveria. Quando surgiu o e-book acreditou-se que o livro impresso seria extinto. Mas não foi isso o que aconteceu com nenhum deles. São formas e momentos diferentes de consumo de cada um. Se vou ouvir rádio, opto por uma que transmita notícias; se estou em casa, prefiro assistir noticiário na TV; se estou em uma sala de espera, consumo notícias pelo smartphone; se tiver disponível ali uma revista, vou manusear. Em viagens, faço minha leitura por e-book, mas, na minha casa não abro mão do livro impresso. Enfim, momentos diferentes e meios variados de consumir informação. Agora, vale lembrar que o acesso à cultura e a democratização dela nunca foram para todos. Isso diferencia os ditos intelectuais daqueles que sequer procuram ter acesso à informação, sendo assim alvos fáceis de fake news.
No jornalismo atual há uma necessidade de agilidade na divulgação de um fato. Como é o cuidado para se proteger das fake news?
Sendo de uma fonte oficial, tenho esse respaldo. Mas posso receber de um leitor uma notícia de algo que está acontecendo. Havendo a disponibilidade, vou até o local apurar para me precaver de possíveis equívocos. Ou, se for uma denúncia contra algum órgão do governo, vou buscar a versão do responsável por tal órgão. Afinal, isso é jornalismo: todos têm o direito de ser ouvidos. Infelizmente, hoje acontece muito de uma pessoa, de posse de um celular, achar-se no direito de fazer imagens de acontecimentos trágicos, expondo pessoas machucadas, até sem vida, e dar a versão do ocorrido sob o olhar dela e não de uma apuração séria, cuidadosa, com a veracidade que os fatos exigem.
A convergência midiática pode ser entendida como uma transformação cultural. Como você vê essa transformação?
Vejo que essa transformação é um processo que precisa ser estabelecido a fim de que toda essa convergência seja, de fato, uma cultura que traga informação concreta. Digo isso porque nem todos que têm acesso querem uma informação profunda dos fatos ou agregar conhecimentos dos mais diferentes âmbitos. Procuram a facilidade. No caso da notícia, querem-na mais resumida e interpretada por outrem que já leu e tirou uma conclusão. Já vi casos de manchetes em que o título é de duplo sentido. A partir da leitura do texto, você vê que a dedução pelo título difere do que você imaginou que fosse. Talvez seja até uma estratégia infame de fazer com que o leitor leia a matéria na íntegra. O que pode gerar, inclusive, desinformação.
Acredito que a leitura precisa ser estimulada. O Brasil, de forma geral, precisa investir na conscientização, em projetos que incentivem a leitura. Na nossa cidade, existe na agenda da Secretaria da Cultura uma semana voltada a essa conscientização, com a feira literária, onde são oferecidos livros impressos. Alunos das escolas públicas são levados até lá e incentivados a adquirir e a ler. São movimentos que ajudam a estabelecer a cultura, não apenas da leitura em si, mas de aproveitar toda a facilidade do saber e de se informar que hoje é oferecida, de forma que traga crescimento intelectual.
O jornalista como profissional precisou se adaptar na era da convergência, tornando-se polivalente. Como foi para você essa mudança e como você enxerga essas modificações no futuro do jornalismo?
Estou há cerca de trinta anos na comunicação. Fui vivenciando as transformações enquanto atuava nesse meio, desde o tempo em que o jornal impresso era feito no sistema de fotolito [processo de produção gráfica que utilizava filmes para preparar a impressão dos jornais]. Hoje, todo processo é feito de forma computadorizada. Usávamos as câmeras analógicas, em que os filmes precisavam ser revelados, chegando aos dias atuais com a facilidade trazida pelas câmeras digitais. Começamos apenas com o jornal impresso; hoje temos o site, que precisa ser sempre atualizado, temos o estúdio onde gravamos o podcast, entrevistando pessoas das mais diferentes áreas, como saúde, política, esporte etc. O Jornal Noroeste está presente nas redes sociais e, a cada dia, são mais seguidores que nos acompanham.
Ampliou-se muito o leque de funções e a polivalência foi se estabelecendo. Se estou redigindo o texto para o site, sou um tipo de profissional; se estou frente às câmeras entrevistando alguém no estúdio, sou outro profissional. A polivalência é uma realidade necessária, mas, a ética e a responsabilidade com a informação devem ser pautadas sempre na verdade, são princípios imutáveis.
*Sou Leonilda Cardoso, tenho 52 anos, mãe de uma jovem de 23 anos e de um jovem de 18 anos. Resido em Nova Esperança-PR. Voltei aos estudos após quase 30 da conclusão do Ensino Médio, realizando o sonho de cursar Jornalismo. Tenho paixão por contar histórias e acredito que o jornalista é porta-voz da comunidade em que vive, em busca da verdade e da justiça.

Muito bom Leonilda, parabéns!
Parabéns Leonilda Cardoso , você é um
exemplo de corajem e determinação para muitos que ainda não ingressaram em um curso profissionalizante quanto o jornalismo e também para todos que teem um olhar sensível e motivador , siga pois você está no caminho certo , ótima publicação!!