Arbitragem brasileira é reprovada por mais da metade dos torcedores

Erros em campo inflamam rejeição pública e exigem revisão nos protocolos e na capacitação de árbitros.

Autora: Cynthia Valeska Carvalho*
Edição: Prof. Larissa Bezerra

O Campeonato Brasileiro de 2025 foi marcado por uma crise de arbitragem e repercussões negativas de erros de campo e do árbitro de vídeo (VAR). O que deveria ser uma ferramenta de justiça se transformou em uma grande crise do esporte nacional.

A arbitragem no Brasil tem mostrado falta de critério e uma dependência enorme do VAR e, com isso, o futebol teve um ano de muita insatisfação dos torcedores.

Um levantamento realizado da AtlasIntel, de 2025, mostra que torcedores veem uma piora considerável na arbitragem do país. Apenas 9,3% dos entrevistados se dizem satisfeitos com a arbitragem brasileira. A maior parcela (46,2%) está “muito insatisfeita”.

Pesquisa arbitragem. Foto: AtlasIntel

Hoje, as maiores dificuldades em relação a arbitragem brasileira são a credibilidade e falta de transparência nas decisões do VAR. Além disso, falhas de protocolo, má interpretação de lances, imagens inconclusivas, atraso tecnológico e ausência de padronização nas decisões da arbitragem estão entre problemas apontados por torcedores e especialistas.

Alberto Batista de Carvalho, ex-árbitro de futebol e aspirante ao quadro da FIFA, atuou entre 1981 e 2001. Para ele, os erros recorrentes da arbitragem são resultado de falhas técnicas individuais dos árbitros, e não de problemas estruturais. “Todos os anos existe reciclagem na CBF, justamente para se ter um só padrão”, afirma.

O caso São Paulo x Palmeiras

O clássico, válido pelo Campeonato Brasileiro no Morumbis, terminou com vitória do Palmeiras por 3 a 2 de virada. A arbitragem não marcou um pênalti do volante Allan (Palmeiras) no atacante Tapia (São Paulo) e  ignorou possíveis expulsões.

Após ser denunciado pela Procuradoria do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), o árbitro Ramon Abatti Abel foi punido com 40 dias de afastamento. O árbitro de vídeo Ilbert Estevam da Silva recebeu a mesma punição.

O árbitro Ramon Abatti Abel durante partida entre São Paulo e Palmeiras no estádio Morumbi pelo Campeonato Brasileiro Série A 2025 — Foto: Ettore Chiereguini/AGIF.

A mídia também é bastante prejudicada quando se trata de erros de arbitragem. Segundo Léo Félix, narrador e editor no Blog do Léo Félix, o narrador precisou de um período de adaptação após a chegada do VAR. Ele explicou que, enquanto na transmissão de TV o público conta com o auxílio da imagem e dispensa descrições detalhadas, no rádio é preciso narrar “cada passo” do árbitro e é mais difícil explicar os erros ao público.

Possíveis soluções para a arbitragem brasileira

Umas das soluções seria a renovação do quadro de profissionais que, segundo o ex-árbitro Alberto Batista, ajudaria a diminuir bastante os erros. Além disso, a profissionalização é importante. “Hoje, temos o nosso trabalho cotidiano e a arbitragem como segunda função”, diz. E ainda seria possível pensar em implementação de avaliações contínuas, rebaixamento de profissionais com pior desempenho técnico, a capacitação técnica e psicológica de árbitros de futebol, a revisão de regras e protocolos de arbitragem, treinamento multidisciplinar, feedback, entre outras.

A visão do torcedor

Danilo Silva tem 24 anos, mora em Natal-RN e é torcedor do CBC FC e do Corinthians. Ele conta que vai ao estádio com frequência e vê problemas estruturais na atuação de árbitros. “O problema é mais da qualidade da arbitragem do que de perseguição a um clube específico”. Além disso, para ele, a interferência do VAR com frequência para ajustar erros do campo mudou a forma de torcer. “Quando sai o gol, a emoção continua sendo enorme, porque é algo automático do torcedor. Mas hoje existe aquela insegurança de saber se realmente foi gol”, explica.

Danilo diz que confia na honestidade do futebol, mas confessa que a crise da arbitragem gera desconfiança em muitas decisões. Ele não acha que os erros sejam sempre intencionais, porém a frequência deles faz o torcedor questionar se os critérios estão sendo aplicados de forma justa para todos.

*Me chamo Cynthia, sou de Natal-RN e tenho 45 anos. Curso o terceiro ano de jornalismo e atuo como setorista do ABC FC. Gosto de me comunicar através da fala e escrita, então foi simples compreender o amor por essa profissão. Concilio trabalho e estudo porque todo esforço é válido para construir o meu sonho.

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