Estudo do MIT faz relação entre uso abusivo de Inteligência Artificial e diminuição de atividade cerebral.
Autor: Denniel Sanches*
Edição: Prof. Larissa Bezerra
As ferramentas de IA já são comumente utilizadas em muitas esferas sociais, no trabalho, escola, faculdade e até mesmo em laudos médicos. Um estudo realizado pela TIC Saúde (Tecnologias da Informação e Comunicação voltadas à área da saúde), em 2024, que analisou a adoção da tecnologia em todo o país, revelou que 17% dos médicos brasileiros utilizaram Inteligência Artificial.
A artesã Cynthia Rebeca, de 28 anos, utiliza ferramentas de IA para perguntas do dia a dia, resumos literários e explicações para desfechos cinematográficos confusos. Apesar de usar a ferramenta no cotidiano, ela entende a importância de não deixar de lado pesquisas mais aprofundadas nem a checagem das informações. Para Cynthia, algumas pessoas deixam que a ferramenta responda e pense por elas em tudo. “A maioria das pessoas que usa IA diariamente confia demais nela, sendo que muitas vezes a IA responde errado e de forma enviesada”, diz.
Essas questões apontadas por ela fazem muito sentido. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo MIT, em 2025, com 54 participantes. Eles foram divididos em três grupos: o primeiro grupo utilizou raciocínio próprio, o segundo teve acesso à internet, e o terceiro utilizou apenas IA. O resultado demonstrou que, no terceiro grupo, houve baixa atividade cerebral, indicando economia de energia e falta de exercício, que, a longo prazo, leva à chamada “atrofia cognitiva”. A neurologista Juliana Khouri explica que o estudo foi claro: quanto maior a dependência nas ferramentas de IA, menor a energia cerebral gasta. Também, segundo ela, tais ferramentas não são vilãs, o erro encontra-se em utilizá-las de forma passiva.
O neurocirugião Hugo Doria afirma que o resultado deste estudo aponta, ainda, que usuários que utilizaram IA para resolução de atividades complexas apresentaram menor atividade cerebral principalmente nas áreas de retenção de memória, capacidade de atenção e pensamento crítico. Para ele, o resultado não trata de um dano cerebral, mas sim um “processo de redução de esforço cognitivo”. O cérebro, assim como os músculos, “funciona por estímulo e adaptação”, portanto, quanto mais exigimos dele, mais fortes se tornam os circuitos neurais. Consequentemente, quanto mais delegamos funções básicas a ferramentas externas, menor a chance de adaptação e desenvolvimento.
A doutora em comunicação social Priscila Kalinke da Silva afirma que a redução dos índices que medem a cognição está sendo observada em muitos países e gerações e os estudiosos do tema conectam o fato diretamente com o uso excessivo de telas. “Os formatos de conteúdo mais curtos e sem aprofundamento não permitem aos interlocutores visões complexas sobre os fenômenos que exigem olhares multidisciplinares”, diz.
Para Priscila, refletir sobre esse contexto se torna fundamental. “É preciso, sim, fazer o questionamento e a crítica para que as regulamentações sejam criadas de forma eficaz, para minimizar os riscos causados, mas dificilmente as pessoas deixarão de utilizar as ferramentas disponíveis”. Concordando com o que foi dito também pela neurologista Juliana Khouri e o neurocirurgião Hugo Doria, Priscila conclui: “encontrar um equilíbrio é fundamental para diminuir os riscos”.
*Denniel Sanches, 25 anos, estudante de jornalismo, amante da literatura e da língua Inglesa. Gosto de viajar e vivenciar diferentes culturas, parte do motivo pelo qual decidi adentrar a vida do Jornalismo.

Parabéns Denniel por sua publicação , este tema é muito importante e interessante, estamos vivendo uma geração muito diferente de outras épocas , e esta dependência excessiva do uso da IA , está preocupante, siga que você está no caminho certo !
Parabéns, matéria super interessante e digna de reflexões, sucesso nessa jornada!!