Criado durante a pandemia, projeto amplia atuação, distribui centenas de toneladas de alimentos e fortalece parcerias para atender famílias em situação de vulnerabilidade.
Autora: Amanda Batista*
Edição: Profs. Gabriel Pinheiro e Larissa Bezerra
Durante o confinamento exigido pela pandemia, as lives não encheram apenas as redes sociais, encheram também as mesas de muitas famílias em estado de insegurança alimentar. As transmissões assumiram um papel fundamental no combate à fome durante a pandemia e muitas pessoas que necessitavam de alimentos se beneficiaram das arrecadações feitas por meio delas.
A pandemia agravou a fome no Brasil. Segundo o Inquérito sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, divulgado Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, em 2022, o Brasil tinha mais de 33 milhões de pessoas sem ter o que comer. Isso representava 14 milhões a mais na comparação com 2020.
O Fome de Música foi uma das iniciativas que se preocuparam com esse cenário e viraram arrecadadores. O projeto nasceu com objetivo de auxiliar pessoas em situação de vulnerabilidade e mobilizou grande parte da classe artística. Segundo dados disponibilizados por Eduardo Azambuja, presidente e idealizador do projeto, durante a pandemia foram arrecadados quase 8 milhões de reais. Todo o valor foi revertido em alimentos que foram distribuídos em todo o Brasil.
O projeto nasceu de uma necessidade emergencial. Então, após o período da pandemia, as atividades foram encerradas temporariamente. Contudo, anos depois o projeto retornou. Agora, formalizado como um instituto, deu continuidade ao trabalho de combate à insegurança alimentar em todo território brasileiro, inclusive em casos específicos, como o do Rio Grande do Sul durantes as enchentes de 2024 e 2025, que destruíram muitas cidades do estado.
Também fazem parte das ações do Fome de Música doações periódicas a alguns institutos, como Abrace (Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias). Iniciada em 2025, essa colaboração destino R$ 6 mil em alimentos por mês. Isso alcançou mais de 900 famílias. Para a Abrace, isso foi muito importante: “O suporte do Mané Mercado e do Instituto Fome de Música não entregou apenas alimentos, mas trouxe esperança, dignidade e segurança para a mesa de quase mil famílias que enfrentam momentos de extrema vulnerabilidade”.
Parcerias
Para fazer a distribuição dos alimentos, o instituto conta com o Sesc Mesa Brasil e o Rotary, que são os responsáveis por fazer o levantamento e identificar onde as doações são mais necessárias, além de empresas e artistas, que colaboram em muitas outras frentes. Em colaboração com a turnê Manifesto Musical, da dupla Henrique e Juliano, pretende fazer a maior arrecadação de alimentos realizada por meio de uma turnê aqui no Brasil.
E a mais recente é a parceria com FIFA e Sony Music, com a música Bate no Peito (a trilha sonora da Seleção Brasileira para Copa do Mundo), onde todos os artistas envolvidos concordaram em doar os royalties da música para instituto.
“Toda vez que essa música tocar é como se fosse um prato de comida sendo doado”, diz Eduardo Azambuja, presidente do projeto.
Quem faz acontecer
O Fome de Música conta com uma equipe de voluntários comprometidos com a causa, que doam tempo e experiência.

Na presidência do Fome de Música, Eduardo Azambuja vem firmando iniciativas que ajudam a fortalecer a missão do instituto, aumentar o impacto e a visibilidade. Foi ele quem, em 2020, usando sua experiência e contatos no mercado do entretenimento, conseguiu mobilizar alguns artistas e deu o pontapé inicial para que o Fome de Música se consolidasse.
Na vice-presidência, Eduardo Roque apresentador do SBT Sportes de Brasília, usa a influência adquirida na televisão e nas redes sociais para promover a conscientização sobre a importância das ações sociais. Ele desempenha o papel de representante do instituto, tanto na divulgação das ações quanto no relacionamento com o público.

Além das aparições nas redes sociais do Fome de Música, ele é responsável por realizar as entrevistas com os artistas apresentando o trabalho desenvolvido, reforçando a visibilidade com o público e possíveis parceiros.
Além da presidência e da vice-presidência, o instituto conta com outros voluntários igualmente essenciais, cada um contribuindo com suas habilidades, reforçando o trabalho desenvolvido. Um deles é Kallel Kopp, descrito como o braço direito do Eduardo Azambuja. Ele é responsável pelo planejamento de sustentabilidade operacional do Instituto, assegurando a continuidade das iniciativas desenvolvidas em alinhamento com Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (Fome Zero e Agricultura) da Organização das Nações Unidas (ONU). Outro exemplo é Matheus Depieri, que oferece suporte jurídico, especialmente nas áreas de integridade institucional, transparência, governança e segurança institucional.
Ele relata que a sua participação no projeto tem sido uma experiência muito marcante, especialmente por poder usar a sua experiência jurídica em favor de uma causa que lida com um dos problemas graves do país.
Na parte da comunicação, Fernanda Lira atua na construção e no fortalecimento do território de marca do Instituto, por meio do planejamento estratégico e comercial, com o objetivo de garantir o impacto entre todos os parceiros envolvidos e a credibilidade usando as ferramentas de comunicação. Ela explica que uma comunicação estratégica é importante para que o movimento aconteça.
Assim, com uma equipe dedicada e novas parcerias, a organização busca expandir seu impacto e manter o combate à insegurança alimentar como uma causa permanente, para além dos momentos de crise.
*Meu nome é Amanda, sou do Distrito Federal, tenho 26 anos. Sou casada e mãe. Até os meus 25 anos, não fazia a menor ideia do que fazer profissionalmente. E hoje me encontro completamente mergulhada e apaixonada por fazer notícia.
